Contos autobiográficos, e não só...




10 - Daslu 

 

Acabo de ler uma crônica assinada pela filha do grande amigo —  grande Jorge Hori. Filha de peixe! E perfeita para descrever o acachapante que deve ser Daslu ao vivo.

Dos destaques especiais de Camila, minha conclusão foi a de que, de certa forma, inovações implantadas naquele ponto de comércio poderão influir nos costumes da classe freqüentadora — de maduros e, mais que lamentavelmente, de quem ainda é muito jovem: http://cenarios_sp.zip.net/

 

Camila desenvolveu o clima das imagens que numa sala de espera  vi em fotos reveladoras de todo o esplendor dos espaços principais da mega-boutique, o que só pude comparar à suntuosidade dos mais ricos clubes ingleses na Índia — conhecidos através de filmes, claro! Mas este parâmetro,  depois de melhor avaliado, mostrou-se insuficiente porque ostentação excessiva não coincide com o que se conhece por elegância britânica. 

  

Fiquei com as imagens e o estupor na memória, e continuei a vida...

 

Minha programação do dia seguinte terminou  numa visita à exposição que está acontecendo na FAAP — A Herança dos Czares. Outro dia de sofrer impacto por grandiosidades! 

 

Uma ínfima parte do fausto que indignou o povo levando-o a deflagrar a revolução russa está testemunhada nessa exposição, com indescritíveis peças de decoração dos palácios em que viviam os titulares dos Poderes Secular e Religioso, suas vestes bordadas a fios de ouro e —  tanto quanto suas jóias — cravejadas com as mais estonteantes pedras preciosas, culminando com amostra do paroxismo  do luxo de até seus cavalos serem ornamentados com colares, protetores de joelhos (pulseiras), estribos e selas — Deus! que sela eu vi! — em ouro, prata e muitas e belas pedras preciosas também.

 

Bem verdade que muitas dessas jóias eqüinas tiveram origem na Turquia — mas, o que foi feito mesmo do Império Otomano?

 

Então me pus a pensar que a evolução do que faz História nas sociedades é extremamente lenta, e me perguntei em que época  Moscou teria tido também sua "Daslu" ...



Escrito por Delza às 12h10
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9 - Decepção...  da série autobiográfica! 
 
Por que fui dizer que estava prontinha para sair?
Ele chegaria no máximo em 20 minutos, quando eu precisava de 17  para decidir o que vestir e nos restantes tomar uma chuveirada; tirar pelo menos a umidade excessiva da pele; creme _ creme? creme não... nem pensar! não daria tempo; passar um escova nos cabelos, ajeitá-los com o pente e as mãos para então dar um toque de spray; espargir nuvenzinhas de eau de parfum atrás das orelhas, nos pulsos, atrás dos joelhos e, por fim, a última _  que qualquer mulher sabe que é entre os seios;  dar duas pinceladas de blush nas maçãs do rosto; "colorir o bico" com delineador de boca, baton e ainda arrematar o processo com brilho; esfumaçar sombra escura nas pálpebras com a ponta dos dedos para tornar profundo o olhar; adensar os cílios com rímel e, finalmente, desenhar pelo menos uns poucos traços de lápis para destacar as sombrancelhas, quando... 
__ "Droooooga! Ainda mais esta _ errei a direção da linha!"
Era preciso tirar urgentemente aquele risco em sépia que tinha modificado a expressão _ e para pior! Imediatamente corri um dos dedos sobre o excesso ... e, na pressa, foi com aquele mesmo carregadinho de sombra black que havia passado nos olhos...
Grrrrrrrrrr! No "piloto automático", levei a mão esquerda e o olhar para baixo em busca do socorro imediato de que dispunha, e só quando identifiquei o mármore da bancada do banheiro foi que me dei conta de que ali não existia o que tinha ido acionar: ctrl mais z...
 

 
PS - Para quem não está familiarizado, Ctrl+z na redação de arquivos de extensão .doc ou .eml corresponde a desfazer  e, em programas de imagens, é comando para reverter a última operação.


Escrito por Delza às 17h05
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 8 -  Dores...

 

 

Hoje decidi recolher minhas dores e levá-las, todas, a passeio...

 

Se a paz do ser humano resulta da harmonia entre o exercício de atividade produtiva e um tanto de lazer,

quem sabe também as dores precisem desse equilíbrio para que sejam acalmadas?

 

Tarefa difícil!

Nem sei por onde começar, nem que ordem seguir para reunir tanta variedade,

já que há uma de colo_ porque recém-nascida e ainda assustada com o novo que o futuro lhe reserva;

algumas na adolescência _ de comportamento variando do diálogo impossível à rebeldia incontrolável;

outras maduras _  que, passadas do tempo para gerar, abortam todas e quaisquer tentativas de acordos,

e finalmente aquelas tão idosas quanto eu, que já se encontram mais limitadas na capacidade de adaptação,

porque cansadas de, sem descanso, produzir, produzir, produzir...

 

Como são dores, não será preciso carrinho de bebê para a primeira,

nem cadeiras de rodas para as últimas;

vão onde sempre estiveram _ disputando espaços em meu peito,

brigando a ferro e a fogo para recuperar lugares que a felicidade, por vezes, lhes tomou...

 

E, junto com minha cadelinha _ que pela pouca idade ainda não pressente que não estamos sós,

vamos todas nós...  mulheres!

 

 

 

Nota  - A inspiração deste texto devo à leitura de "Para nunca mais", de uma amiga a quem admiro e gosto demais, apesar de ainda não a conhecer pessoalmente _ Zi Bichara _ http://izilda-bichara.blog.uol.com.br/ 

 



Escrito por Delza às 08h05
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7 - Homens de minha geração...

             

      Tudo se passou neste cenário: Ilha das Palmas, em Santos-SP

 

Ele, M., foi o primeiro namorado com pedido de namoro, tempo para pensar _ sim, porque esse suspense era regulamentar _ e resposta afirmativa para oficializar aquele namoro com que tanto sonhava qualquer garota que estivesse saindo da adolescência.

 

O que se comparava àquelas sensações de afogueamento tão desconhecidas? Um alvoroço descompassado no peito... Falar? Sobre o que, se o estado era de total embevecimento, e nada ocorria que pudesse ser transformado em palavras? Humores estranhos até então de existência insuspeitada _ a começar pelas mãos que passaram a ficar suarentas nos minutos que antecediam os encontros.  Ah, e foi nos intervalos desses encontros que compreendi o significado de eternidade...

 

Mas... e,  afinal, namorar era permitido ou proibido? Eram tantas as proibições, que fui obrigada a concluir que, se namorar não estava elencado entre as coisas permitidas, devia ser das proibidas. Então, era preciso esconder aquela transgressão! No escurinho do cinema, mãos dadas, mas no "footing" do Gonzaga, nem pensar! Melhor que uma das amigas passeasse a seu lado, porque se alguém atribuísse uma situação de romance com aquele moço, que pensasse que era em relação a uma delas!

 

Beijo? Menos ainda! E se alguém no cinema visse e fosse contar? A tentativa de um roubado, mais pareceu lambida de um Terra Nova, tamanha foi a luta dele para conseguir, e minha para garantir a não participação na criminalidade do ato pretendido!

 

Eu era pouco mais que uma menina, pois acabara de fazer 14, mas um rapaz aos 18 anos de idade não agüenta por muito tempo essa pantomima _ nem naquele tempo! Primeira dor de rejeição do sexo oposto.

 

Deus, lembra como aquilo foi dilacerante? E ter de, tempos depois, conviver com o novo namoro dele com uma das amigas próximas, sendo da mesma turma como éramos todos?

(continua)



Escrito por Delza às 08h01
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 (continuação)

Minhas esperanças de um dia reatar _ o amor era tanto, que me dava a certeza de ser suficiente para desencadear um passe de mágica a qualquer momento _ começou a se diluir quando mudei para São Paulo. Mas o pior é que a distância só aumentava aquela paixão de mão única, porém inabalavelmente fiel. E foi por fidelidade a esse sentimento que rejeitei todos os pedidos de namoro que me surgiram, desde o de um futuro ás da fórmula 1 _ como veio a ser, até o de um lorde inglês.

 

Dois anos se passaram, e minha amiga mais íntima _ irmã dele _ convidou-me para ir com a família a um baile tradicional da cidade de Santos, que era o da Ilha das Palmas. Estava com 16 anos e me sentia mulher feita, razão pela qual paramentei-me como tal, isto é, saia justa, salto alto, blusa canelada para destacar os seios que, enfim, haviam criado algum volume naqueles dois anos.

 

O baile! A ilha, paradisíaca _ pelo menos naquela única noite que estive lá, me parecia; a música, celestial _ pelo menos naquela noite me parecia; a lua, brilhava resplandecente _ pelo menos naquela noite de céu encoberto, me parecia _ quando, quase apopléctica de emoção porque convidada por ele para um passeio ao ar livre, ao som divino de ondas do mar quebrando nas pedras acompanhado de românticos violinos que, por óbvio, só eu ouvia, aconteceu o primeiro beijo consentido de minha vida!

 

De volta a São Paulo, ainda dançando nas nuvens, encontrei um parente _ integrante também daquela mesma turma _ que com ares de cobrança e repreensão questionou se havia mudado meu estilo de vida. À minha indagação espantada do porquê da  pergunta descabida, respondeu:

 

“- Ora , por quê! Porque ontem no vôlei de praia o M. me chamou em particular para comentar:

- Pô, S., tua prima está virando uma galinha!” 



Escrito por Delza às 08h01
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  6 - Presente de Natal inesquecível.

 

Não foi uma infância de grande acolhimento, de seio materno incondicional, mas Natais e alguns aniversários _ ah! esses foram fartos! De destacar, aos 6 anos, a boneca que andava; aos 7, a bicicleta tão desejada; o piano Hoffman no dia que completei 10 anos; o primeiro anel solitário no Natal do mesmo ano; depois, na adolescência e juventude, os modelos exclusivos de Madame Nogueira, e também as cópias de alguns Lanvin , Yves Saint Laurent, Dior, Givenchy, Chanel, etc, porque a avó era a primeira modista da cidade _ quem foi ou ainda é de Santos, lembrará de Madame Nogueira Dias.

E então, chegaram os tempos em que as vacas emagreceram, em que tanto o luxo como os supérfluos foram substituídos pelo essencial, pelas prioridades, com o que fui me formando mulher com menos invólucro e, a duras penas, mais estrutura... felizmente.

O primeiro casamento não deu certo, e ainda sobreveio a viuvez depois do desquite; no segundo, aos 39 anos de idade fiquei viúva novamente e, como aconteceu com Terezinha de Jesus, acudiu-me também um terceiro cavalheiro a quem novamente dei a mão.

As vacas não eram magras _ eram esquálidas, quase desnutridas nos primeiros anos dessa união, onde o dote que me foi ofertado equivaleu a dois anos de trabalho incessante para saldar dívidas da mulher anterior, dois adolescentes e uma criança de 10 anos a quem cuidar, educar, prover e encaminhar na vida.

A mãe, que então havia casado com um estrangeiro e em seu país já estava vivendo, jamais havia festejado um Natal para esses três filhos, que pouco mais tinham de lembrança além de, eventualmente, um presente para cada um deles.

Após a jornada na Procuradoria, meu dia continuava com outra atividade remunerada no período pós-vespertino na Televisão Bandeirantes, e com isso foi possível improvisar a primeira festa natalina para, literalmente, tirar o fôlego das crianças que eram todas fanáticas por Snoopy..  

 

(continua)       



Escrito por Delza às 07h54
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(continuação)

 

Em plena rua Estados Unidos, uma filial da Hallmark fez as vezes de varinha mágica da fada madrinha: toalha de Natal, com motivos do Snoopy; borrachinhas, lápis, canetas, estojos, cadernos, camisetas, calcinhas, agendas, adesivos e até cartazes e bexigas para decorar a sala _ tudo com o motivo Snoopy. Entre todas essas superficialidades e também a satisfação das necessidades transformada em presentes de Natal, havia mais de dúzia e meia para cada criança, e tudo deveria ser empacotado. Com papel do Snoopy, claro! Mas... era pouco! Sobre uma caixa, um trenó de cartolina em três dimensões, elaborado e montado com paciência oriental durante a madrugada para proteger a surpresa, constituiu o veículo de uma miniatura do Snoopy vestido de Papai Noel, e era o ponto alto da decoração dos pacotes ao pé da árvore. Concorriam com ela, uma bengala decorativa de Natal em cartolina branca com fita vermelha em listras diagonais, que empacotava um guarda-chuva para a caçula ir à escola, e mais outra caixa onde, sobre um forro de papel azul claro, foi desenhada a cara do cãozinho travesso e ainda, forradas com o mesmo papel, colou-se duas enormes orelhas de cartolina imitando as do animalzinho da moda.

Constatar a meia dúzia de olhos infanto-juvenis que, virgens de festas de Natal, quase saltaram das respectivas órbitas de tanta emoção ao deparar com a sala totalmente decorada da coqueluche  Snoopy, já seria um presente inesquecível. Mas, entre todos aqueles embrulhos com belíssimos papéis hallmarkianos, inesperadamente, um era para mim!

Agitada, e só pensando na impropriedade daquele gasto que, fosse qual fosse seu valor, iria fazer falta no pagamento das contas atrasadas, abri o pacote que me foi oferecido por todos. Era uma “Snoopa”, com uma saia em torno da barriguinha para que não fosse confundida em seu gênero.

Carinhoso o ato, mas... a situação não comportava desperdício, porque as dívidas aguardavam por serem pagas...

 

As contas! Elas permaneciam como pano de fundo em minha cabeça... quando... atentando melhor, reparei que aquela "Snoopa" não estava assim despojadamente vestida só com uma babadinho em torno do ventre: com o pequeno anel da infância da mais velha, a pulseira de berloques que não servia mais na caçula e o alfinete de prender a chupeta do então rapazinho derretidos, minha "Snoopa" exibia orgulhosamente um par de brincos de ouro e, toda faceira, mostrava uma expressão que me dizia: - Tome-os! Eles são seus!



Escrito por Delza às 07h52
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 5 - Bonde 22 - Gonzaga - Praça Mauá 

Meu bonde era de Santos _ nasci e morei lá até os 14 anos de idade.

Há lembranças de espera no ponto vestida de uniforme para chegar ao Colégio Estadual e Escola Normal Canadá; do cuidado de subir e nele me sentar usando pela primeira vez meias de nylon; o primeiro salto alto, e também o enrubescimento e o desconcerto pelo primeiro toque de mão do candidato a namorado ainda aos 12, tentando segurar a minha a caminho do cinema...

Mas os vestígios da história mais marcante se mesclam na memória com aqueles dos comentários que passei a ouvir tempos depois:

Final de 1945, eu com 3 anos de idade, saí com uma das oficiais de costura do atelier de minha avó modista para alguma compra no centro. No bonde que nos levaria de volta para casa _ cujo itinerário incluía as imediações do cais _ um pracinha chegando da Itália sentou-se a meu lado e, talvez só para se certificar de que, onde estava, qualquer ser vivo falava sua própria língua, perguntou se eu conhecia a Canção do Expedicionário. Afinadinha, respondi para que não só ele ouvisse:
- “Por mais terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá... Sem que leve por divisa este V que simboliza a vitória que virá! Nossa vitória final, que é a mira do meu fuzil, a ração do meu bornal, a água do meu cantil, as asas do meu ideal, a glória do meu Brasil”.

E devo ter me espantado muito sem entender por que aquele homem sem um braço chorou...



Escrito por Delza às 07h45
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4 - ESPELHO

 (1998)

 

De ti, quero um amor em espelho...

 

que na luz da lua, veja o brilho dos meus olhos

no gorjeio de um pássaro, ouça minha voz

nas fantasias, se impregne do meu cheiro

em cada poro, sofra a ausência do meu toque

na própria boca, intua o gosto do meu beijo

e na  mão em concha, o volume do meu seio

 ...e que, na apoteose do amor, nu, em pelo,

ansiando aplacar a carne torturada, 

transforme em desvario meu desejo

 

quero teu amor asim, meu espelho...

 

 



Escrito por Delza às 07h44
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 3 - Sobre minha avó, e do medo que os maduros têm de perder o desejo sexual...  

 

Ainda que muito próxima da chamada terceira idade, tenho a sorte de ser neta de uma mulher que, infeliz no casamento com meu avô _ boêmio, ator de teatro amador, bandolinista amador, teosofista, e que vivia para satisfazer o mundo dele somente _ depois de 10 anos de viuvez, aos 68 de idade, para espanto e indignação minha que era ainda solteira, ela se casou outra vez. Choque! Avó?

Viveram juntos por aproximadamente 5 anos até a morte dele, e não houve um só dia desses mais de 1.700 que esse homem tivesse entrado em casa sem um pacotinho para ela, que podia variar de um laço de fita amarrado num saquinho de balas a um corte de tecido de muito bom gosto, sem jamais deixar de, vez ou outra, satisfazer sua alegria quase infantil em ganhar um perfumoso... "sandwich de bife", de um determinado bar de Santos, onde moravam.

 

Depois da morte dele, ela se despediu de sua cidade e veio para São Paulo, o que nos permitiu estreitar ainda mais o carinho que sempre nos uniu, bem assim passarmos a ser uma espécie de confidentes uma da outra. Então, num de nossos longos diálogos, muito constrangida de "conversar esses assuntos com uma neta", emocionada me confessou que foi nesse segundo casamento que ela conheceu o que era ser mulher e, mais perguntada, uma parte de sua resposta foi no sentido de que, também para espanto dela, todas as noites eles tinham intimidade sexual, ainda que nem sempre chegassem ao clímax.

Aqueles que conheceram, sabem muito bem que quem teve a experiência do paroxismo do desejo e de sua satisfação, nunca mais voltou a ser a mesma pessoa; também ela, a olhos vistos, desde o novo casamento havia se tornado mais sensível, mais sábia...

Com o passar dos anos, constatei que foram as recordações desse tempo em que foi mulher tão ditosa que colocaram em sua expressão aquele sorriso de guardiã de um segredo insuspeitado, e que fizeram dela uma mulher preenchida até o fim de seus dias, aos 96.

Então, só por isso, não temo essa perda _ fui a neta confidente dela...



Escrito por Delza às 07h42
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 1 - Reflexões sobre desejo sexual na maturidade

 

Desejo, em minha faixa etária, traz arrepios ondulantes e também inesperados calafrios, mas é cálido, é cheio de malemolência, de desejo morno, que cresce com preguiça,  que se entremeia de ternura, de gratidão, de um sentimento antigo com características novas que é a amizade, que é capaz de transformar em fetiche a protuberância não muito estética de um abdomen, que nos leva a acarinhar e sentir como uma comovente maciez a parte mais flácida de um dos membros _ inclusive! _ e que, depois do prazer, não nos permite definir se a profunda sensação de gratidão que fica se confunde com um amor filial, paternal ou maternal... 

 

As que estão ainda na casa dos 50, aproveitem avidamente, vorazmente, sofregamente essa década que justifica suas existências como mulheres,  porque nada mais irá se comparar a esse desvario, a essa explosão, a esse turbilhão de sensações e emoções, à capacidade de exacerbar a sensibilidade em cada um dos poros a ponto de levá-las a querer gritar seu desejo ao mundo, a essa "pós graduação" que só nessa idade se  faz quando, na iminência da menopausa e sob verdadeira febre que toma conta do corpo, em devaneios se elabora passo a passo a "tese de doutorado" em  festejar com maestria  e lentidão torturante cada um dos segmentos de pele do corpo do amante, transformando-os em centro de sensações, muitas vezes até então por ele desconhecidas... 

 

Para tanto, é preciso ter mais de 50...

 



Escrito por Delza às 07h23
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teste

Blog com problemas

Este Blog esteve em branco desde o dia 8 do corrente, por erro até hoje não explicado ...

Muito triste, nesta data, 14.01.2005, estou republicando o que desapareceu, mas este blog não será mais o mesmo, pois perdeu minha melhor referência _ os comentários que o enriqueciam.



Escrito por Delza às 18h03
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